domingo, 23 de maio de 2010

Gente Caida

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Cabelo duro enrolado de pueira
Essa pueira vermelha, que dispenca do sertão.
Pele queimada, torrada ao sol de agosto...
No rosto tinha um disgosto, que ninguém diz razão!
Calsa rasgada em farrapos se vestia, era mulambo encardido, que já pedia munturo...
Meio pelado, desnudo do mei pra cima...
A cintura sem camisa mostrava o peito peludo!
E feito cego no meio do tiroteio, a cabeça entre meneios tatiava sem noção!
Ali caído, de quatro engatinhava procurando pelo pito e a pinga no garrafão...
Olhos profundos penumbrados e sem destino!
Me olhava qual menino, que fitava o infinito! Não me inchegava, mas me olhando firmemente... De um jeito insistente e com um fungado esquisito...
Incomodando andei uns passos pra frente, bancando o indiferente eu não pude avançar... Eu fui me embora seguindo a vida afora...
Mas confesso aqui agora o que não posso negar!
Fiquei com ele naquele estado humilhante... Mesmo passando adiante, eu fiquei lá na estrada... E ainda hoje ainda sinto um arrepio...
Quando dele escuto o grito... “ETA vida desgraçada”!

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