sábado, 26 de outubro de 2013

SANGRANDO VERSOS

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Meu desespero é o tempero que dá gosto a minha esperança
E o exagero é companheiro roto na desventurança
Minh’alma nua pelas ruas busca por bonança
Num corpo louco templo dessa desmedida dor

E na penumbra opaca de cada olhar apagado
Me reconheço ao avesso do que sonho ser
Matérias mortas animadas em corpos sem vida
Meros banquetes do meu eu carnívoro devorador
Que segue a esmo sempre a perecer
A conta gotas a cada gota de gozo a verter sofrida

Corpos talhados na madeira carne
São só mulheres na vida de escárnio
Que a moral refuta para a marginália
E tradição condena para escondê-las

Mas aos meus olhos como aos demais
É tão fugaz seduz é tão bom vê-las
Deseja-las, possuí-las doce proibido
Escravizadas por seus sonhos loucos
Por suas ânsias e nossa libido

São condenadas por que são espelhos
A refletir nossas contradições
Desafiando a débil moral e contestando rudes tradições

Damas da vidas as mais diversas vidas
Insuflam vidas em tão pobres vidas
Que de tão pobres mas que elas são
Madeira carne nessa travessia

Imaculadas no seu exercício de sempre servir
A si a ti a mim entre lágrimas e o desejo de sorrir
E ao sabê-las sei bem mais de mim.


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